Dica da Semana: Quais são os processos de formação de palavras mais cobrados em provas de concursos?
Vamos agora falar sobre os mecanismos
de que a língua portuguesa dispõe para, combinando e recombinando morfemas,
criar ininterruptamente palavras novas. Você, sem dúvida, participa desses
processos, pois consegue não só compreender os neologismos que surgem na língua
formal ou coloquial, mas também criar os seus, muitas vezes sem se dar conta
disso. Palavras como achismo, favelização, deduragem ou bebemorar
não constam de dicionários, mas não deixam de ser compreensíveis e
compreendidas; não há quem não tenha opinião sobre o famoso imexível de certo
ministro, assim como não há quem, para satisfazer uma necessidade de expressão,
não faça suas próprias invenções verbais vez ou outra.
Vários
são os motivos que nos podem levar a formar palavras. Às vezes, precisamos
utilizar o significado de determinada palavra em uma construção que requer uma
classe gramatical diferente. Em certas situações, precisamos modificar
ligeiramente o significado de uma palavra; em outras, buscamos nomear processos
ou seres até então desconhecidos ou despercebidos. Em todos esses casos, são os
processos de formação de palavras que atuam como instrumentos para incrementar
nosso desempenho comunicativo. São eles que, criando formas específicas de
lidar com certos conjuntos limitados de morfemas, permitem-nos reconhecer e
criar um número praticamente infinito de palavras, de forma a fazer da língua
uma forma de expressão a um só tempo econômica e eficiente.
A
língua portuguesa apresenta dois processos básicos para formação de palavras: a
derivação e a composição.
Há
derivação quando, a partir de uma
palavra primitiva obtemos novas
palavras (chamadas palavras derivadas) por
meio do acréscimo de afixos. Isso
ocorre, por exemplo, quando, a partir da palavra primitiva piche,
formamos pichar, da qual por sua vez se formam pichação, pichador;
também ocorre quando obtemos impessoal a partir de pessoal ou ineficiente a
partir de eficiente. Como veremos mais adiante, a derivação também pode ser
feita pela supressão de morfemas ou pela troca de classe gramatical, mas nunca
pelo acréscimo de radicais.
A derivação se estabelece de maneiras variadas. Vejamos: há a derivação prefixal - que ocorre quando se acrescenta ao radical um prefixo; há a derivação sufixal - que se dá com o acréscimo de um sufixo ao radical; há a derivação prefixal-sufixal - que ocorre quando são acrescentados um prefixo e um sufixo ao radical, porém a nova palavra poderia originar outras duas apenas por prefixação ou por sufixação; há a derivação parassintética - que se dá quando se acrescentam ao radical um prefixo e um sufixo, porém a nova palavra só existirá com os dois afixos concomitantemente, e não é possível a palavra originar ouras apenas com um dos dois afixos; há a derivação regressiva - que se dá pela redução da palavra primitiva; e, por fim, há a derivação imprópria - que ocorre quando não se altera outra coisa senão a classe da palavra primitiva.
"A derivação prefixal merece especial atenção por causa do uso dos hifens nesse processo".
A composição ocorre quando formamos palavras pela junção de pelo
menos dois radicais. Nesse sentido, diferencia-se da derivação, que não lida
com radicais. As palavras resultantes do processo de composição são chamadas
palavras compostas, em oposição
àquelas em que há um único radical, chamadas palavras simples.
Ocorrem apenas dois tipos de composição: a composição por aglutinação - que se dá com a perda de elementos fonéticos ao juntarem-se dois ou mais radicais; e a composição por justaposição - que ocorre quando, na união de dois ou mais radicais, não há perda fonética. Esta última pode se dar com ou sem hífen.
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